A dieta que não está no prato
Dieta não é só o que você come. É também o que você pensa, fala, ouve e faz, e as pessoas que deixa perto. Como cuidar dessa outra dieta no dia a dia.
Eu repito muito uma frase: dieta não é só o que você come. É também o que você pensa, fala, ouve, faz, e as pessoas com quem convive. Tudo isso entra em você e vira parte de quem você é.
Dá para comer muito bem e ainda assim viver mal, se o resto da “dieta” estiver cheio de lixo. Neste texto eu falo dos cinco “alimentos” que não estão no prato e de como cuidar de cada um.
Pensamento vira hábito
Seus pensamentos formam seus atos, seus atos formam seus hábitos, seus hábitos formam seu caráter, e seu caráter forma o seu destino.
É uma frase antiga, de autoria discutida, e continua verdadeira. Ninguém muda a vida de uma vez. Muda o que pensa, isso muda o que faz, e o que faz todo dia acaba virando quem é.
Por isso eu presto atenção nos pensamentos que repito. Se todo dia eu acordo pensando “não vai dar tempo”, “nada dá certo”, é isso que eu treino. Trocar o pensamento não é fingir que está tudo bem: é escolher onde colocar a atenção.
Os cinco alimentos que não estão no prato
1. O que você pensa
Pensamento é o primeiro alimento do dia. Antes de pegar o celular, vale perguntar: qual é a coisa mais importante que eu preciso fazer hoje? Começar o dia com uma intenção clara muda o resto.
2. O que você fala
Reclamação é contagiosa, inclusive para você mesmo. Repare quantas vezes por dia você fala mal de algo ou de alguém. Falar do que dá para fazer, e não só do que está errado, muda o clima de uma casa inteira.
3. O que você ouve e lê
Pense em quantas horas por dia você passa recebendo notícia ruim, discussão, comparação e propaganda. Isso também é alimento. Eu deixei de acompanhar a mídia tradicional há mais de 17 anos e escolho com muito cuidado o que leio e quem eu ouço.
4. O que você faz
Ação é o que transforma pensamento em vida. Pequenas ações repetidas, como caminhar, cozinhar, ler, arrumar a casa, valem mais que grandes planos que nunca começam.
5. Quem está perto de você
Você acaba parecido com as pessoas com quem passa mais tempo. Conversas, piadas, reclamações, ambições: tudo é contagioso. Procure estar perto de quem constrói, de quem trabalha com prazer e de quem te puxa para cima.
Por que é tão difícil mudar um hábito
Porque hábito é o que o corpo faz no automático para economizar energia. Pegar o celular ao acordar, reclamar no trânsito, comer em frente à TV: nada disso é decidido. Simplesmente acontece.
Por isso força de vontade sozinha costuma falhar. O que funciona melhor é mudar o ambiente e começar pequeno:
- Deixe o bom hábito fácil. O tênis perto da porta, o livro na cabeceira, a fruta lavada na geladeira.
- Deixe o mau hábito difícil. O celular carregando fora do quarto, o aplicativo fora da tela inicial.
- Junte o novo a algo que você já faz. Depois do café, cinco minutos de leitura. Depois do almoço, dez minutos de caminhada.
Pequeno e repetido vence grande e esporádico.
Como fazer uma dieta de informação
Do mesmo jeito que a gente tira ultraprocessado da despensa, dá para tirar o lixo do que entra pelos olhos e ouvidos. Algumas perguntas ajudam a decidir:
- Depois de ver isso, eu fico melhor ou pior?
- Isso me ajuda a agir ou só me deixa ansioso?
- Eu escolhi ver isso ou o algoritmo escolheu por mim?
E algumas atitudes práticas:
- Desligue as notificações que não são de pessoas. Aplicativo não precisa te chamar.
- Tenha horários sem tela, principalmente na primeira hora da manhã e na última da noite.
- Limpe o feed. Pare de seguir quem só te deixa com raiva ou com inveja.
- Troque rolagem por leitura. Um livro, um texto longo, uma newsletter que você escolheu assinar.
Doe mais, peça menos, agradeça
Pare de buscar fora o que sempre esteve dentro de você. Doe mais, peça menos, agradeça mais. Gratidão parece coisa pequena, mas muda o filtro com que você vê o dia. Quem procura motivo para agradecer encontra, do mesmo jeito que quem procura motivo para reclamar.
Isso conversa muito com o que eu escrevi em a vida feita de dias normais: a vida boa está mais no dia comum bem vivido do que em grandes acontecimentos.
Um exercício para esta semana
- Escolha uma fonte de informação que só te faz mal e corte por sete dias.
- Troque esse tempo por algo concreto: caminhar, cozinhar, ler um livro, brincar com os filhos.
- No fim do dia, anote uma coisa pela qual você é grato.
Sete dias. Depois me conta o que mudou.
Perguntas frequentes
Isso quer dizer que não posso ver notícia?
Não. Quer dizer escolher. Saber o que acontece é diferente de passar o dia sendo bombardeado. Escolha poucas fontes, em horários definidos.
Por onde começo se quero mudar meus hábitos?
Por um hábito só, pequeno e fácil de repetir. Caminhar dez minutos depois do almoço, cozinhar o jantar duas vezes por semana, deixar o celular fora do quarto. Quando ele ficar automático, acrescente outro.
E se as pessoas perto de mim reclamam o tempo todo?
Você não controla os outros, mas controla o que você fala e onde coloca a sua energia. Muitas vezes, quando um da casa muda, o clima inteiro muda junto.
Qual a relação disso com alimentação?
Toda. Quem dorme mal, vive ansioso e cercado de estímulo tende a comer pior. Cuidar da cabeça facilita cuidar do prato, e o contrário também vale. Sobre o prato, comece por comida de verdade é simples.
Da Ultramel, para acompanhar este tema
